
A Associação dos Docentes da UFCG realizará durante todo o mês de outubro, no Auditório da entidade, a Mostra de Cinema: Ditadura em Cena. A mostra incluirá a exibição e o debate de alguns dos mais representativos filmes sobre a temática. A programação terá início nesta sexta- feira, 06/10, às 9h30. Filmes como Lamarca, Jango e Pra Frente Brasil estão na seleção. O acesso ao evento é gratuito.
Segundo os organizadores da Mostra, o evento tem sua principal justificativa por ser o período de 1964 a 1985 algo que marcou profundamente a história brasileira, em função da implantação da ditadura que derrubou o presidente constitucionalmente eleito João Goulart, com conseqüência políticas, econômicas até hoje presentes na sociedade brasileira. Um exemplo destas consequências é a atual polêmica em torno da formação de uma Comissão da Verdade para investigar e punir os responsáveis pela violação dos direitos humanos na época de vigência da ditadura militar.
A Mostra confirma que o cinema não ficou imune a este crucial período da história do Brasil, que acabou se transformando em tema para a realização de diferentes obras e abordagens que tratam, por exemplo, do golpe civil militar, da tortura, da luta armada e da resistência contra o regime, das lutas sociais, etc. “Daí a idéia de realizar esta mostra, no sentido de trazer para o movimento docente o conhecimento desta época, da história do país e do próprio cinema brasileiro”, explica o diretor da ADUFCG e professor do Curso de História, Luciano Mendonça.
Na programação da mostra, o primeiro filme que será exibido nesta sexta-feira, dia 06/10, às 9h30, será Jango. O filme do diretor Silvio Tendler descreve e explica a política brasileira da década de 1960, desde a candidatura de Jânio Quadros, passando pelo golpe militar, as manifestações da UNE e os exílios. Retrata a vida política brasileira dos anos 60, tendo como fio condutor a biografia do presidente João Goulart. Sua ascensão e queda, até a morte no exílio, uma reconstituição a partir de material de arquivo e entrevistas com ministro Afonso Arinos de Melo Franco, Raul Ryff, general Antonio Carlos Muricy, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto, entre outros.
O segundo filme da mostra, a ser exibido no dia 14/10, é Lamarca. A obra de Sérgio Resende, foi baseada no livro de José Emiliano e Miranda Oldack, “Lamarca, o capitão da Guerrilha”. A história começa em dezembro de 1970, quando o ex-capitão do exército brasileiro e grande atirador Carlos Lamarca e seu grupo político rebelde negociam com a Ditadura Militar a soltura de presos políticos em troca da vida do sequestrado embaixador da Suíça, mantido por eles em cativeiro. Trinta presos são soltos e a "repressão" aumenta a perseguição aos guerrilheiros, comandada por um general do Exército e o delegado civil Flores (referência ao delegado da vida real Fleury), que se apresenta como o matador de Marighella e outros "subversivos" e não hesita em torturar seus prisioneiros para obter informações. Lamarca vai então para a Bahia, acompanhado da amante e também militante Clara. Enquanto espera para se encontrar com os demais guerrilheiros, Lamarca lembra de momentos do seu passado, da experiência marcante de quando serviu como soldado da ONU no Canal de Suez que o fez se revoltar contra os "capitalistas", da sua mulher e filhos que enviara para Cuba e do campo de treinamento de guerrilheiros que criara no Vale do Paraíba em São Paulo.
O terceiro filme da mostra será Pra Frente Brasil, que será exibido no dia 21/10, às 9h30. É um filme brasileiro de 1982, dos gêneros drama e ficção histórica, dirigido e escrito por Roberto Farias, baseado em argumento de Reginaldo Faria e Paulo Mendonça. Estrelado por Reginaldo Faria, Antônio Fagundes, Natália do Valle e Elizabeth Savalla, Pra frente, Brasil foi um dos primeiros filmes a retratar a repressão da ditadura militar brasileira (1964–1985) de forma aberta.
O filme que encerrará a mostra será Braços Cruzados, Máquinas Paradas, que será exibido no dia 28/10. O documentário dirigido por Sergio Toledo e Roberto Gervitz mostra três chapas que disputam a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o maior da América Latina, com 300.000 associados, e presidido por um "pelego", desde o golpe militar de 1964 . Em meio à eleições, eclodem as primeiras greves operárias que iriam mudar o país. “Braços Cruzados Máquinas Paradas" revela, em narrativa envolvente, como funciona a estrutura sindical brasileira, de inspiração fascista.
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