Ele gosta de forró, bossa nova, Elis Regina, Maria Bethânia, Jorge Benjor, classifica Tim Maia como seu artista brasileiro preferido e diz que o Recife faz um dos melhores carnavais do mundo. O soulman Paul Williams, 76 anos, Billy Paul, volta à cidade para fazer dois shows, nesta quinta-feira (17) e sexta (18), no Manhattan Café Theatro, em Boa Viagem.
Bem conhecido (e amado) pelo público local e nacional, o norte-americano tocará hits que marcaram sua carreira como War of the gods, Let´s Stay Together, Me and Mrs. Jones e Your song, acompanhado por sua banda. “Será um show com músicas mais intimistas e outras mais dançantes”, explicou o músico, em coletiva realizada no mesmo local da apresentação.
Indagado sobre como encara o papel da tecnologia no mundo da música atual, Paul não poupou críticas ao que ele chama de “geração Pro Tools” (programa de gravação e edição, bastante utilizado em estúdios): “No tempo em que comecei minha carreira, as pessoas realmente tinham que cantar. Não é como hoje que, caso alguém erre, você vai lá e conserta no computador. Alguns artistas até se tornam arrogantes e pensam que realmente sabem cantar”, dispara.
Acostumado a tocar para grandes plateias no Brasil, Billy Paul diz curtir se apresentar em lugares menores, como o Manhattan – que tem espaço para cerca de 250 pessoas sentadas. “No início, tocava em lugares pequenos. E não gosto de ficar muito longe do público, gosto de sentir a emoção das pessoas de perto”, diz.
Nascido no Estado da Pensilvânia, Billy Paul iniciou sua carreira aos 12 anos. Com a canção Ebony woman (regravada e incluída em disco homônimo de 1970), começou a ganhar maior projeção. Mas, foi com o Me and Mrs. Jones que ele estourou nas paradas. O single, de 1972, vendeu dois milhões de cópias e o levou a ganhar o Prêmio Grammy de melhor vocal masculino de rhythm’n’blues.
Dono de voz poderosa e elegante, Paul enaltece a qualidade dos músicos que o acompanham. “São ótimos músicos e alguns deles são professores. Nas viagens, procuramos ficar sempre juntos. Somos uma família”, exalta.
CHEIO DE BOSSA - Entre os planos para 2012, Billy diz que pretende lançar material novo, incluindo algo do estilo cujos representantes maiores como Tom Jobim e João Gilberto ajudaram a difundir pelo mundo afora. “A bossa nova toca em vários lugares dos Estados Unidos. Ela nunca vai morrer”, defende. Bastante chateado com a indústria fonográfica, o americano diz que pretende usar a internet como um dos principais meios de difusão das suas novidades musicais e aproveita para dizer o que pensa sobre gravadoras. “Elas ganham muito dinheiro com os artistas e algumas delas chegam a mentir para eles na hora de divulgar seus balanços de vendas”, revela.
Tendo ao fundo de onde conversava com a imprensa imagem do falecido e rei do pop Michael Jackson, Billy Paul recolhe por instantes os sorrisos que distribuiu durante a maior parte da conversa e o troca por palavras de lástima. “Ele era meu amigo e não consigo acreditar que não está mais aqui. Nunca mais teremos um artista como Michael Jackson”, lamenta o soulman.
O cantor também tem feito palestras para jovens, no Brasil, nas quais faz um alerta sobre o perigo do consumo de drogas. Billy sabe bem do que está falando visto que já foi dependente químico.
ANIVERSÁRIO - Em dezembro, o Manhattan Café Theatro comemora seis anos com show do cantor e compositor Guilherme Arantes. Em janeiro, quem sobe ao palco da casa é The Fevers. De acordo com Ronald Menezes, proprietário do local, está na pauta das novidades para os próximos meses a abertura para espetáculos de comédia stand up.