
Na noite de quinta, 22, a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) divulgou o resultado do IX Edital Ceará de Cinema e Vídeo, que havia sido lançado no dia 11 de julho último. Ontem, o resultado gerou controvérsias. Comparando-se os resultados de 2010 e 2011, disponíveis no site da Secult, é possível verificar uma suposta irregularidade. Na modalidade de Longa-metragem de 35 mm da categoria Produção do interior do Estado, o vencedor de 2010 e deste ano se repete: Moisés Pedro Magalhães, presidente da Associação das Produtoras e Produtores Independentes do Estado do Ceará (Aproece), aparece como contemplado com as produções 1919 – O Ano em que a Luz Fez a Curva e Inquérito 708/37, nos dois anos consecutivos.
A suposta anormalidade se dá pelo fato de que, de acordo com o tópico 4.3 do edital, que aborda as proibições das candidaturas, pessoas que venceram no ano anterior não poderiam pleitear vaga na mesma modalidade. Procurado pelo O POVO, Moisés dá sua versão do imbróglio. Segundo o cineasta, o resultado de 2010 contém erros já que seu nome está na lista de vencedores sem o projeto ter sido realmente contemplado. O erro, então, aconteceu há um ano, sem ainda ter sido ajeitado. “Realmente meu nome está lá no site, mas não ganhei, não. Foi um erro da Secult.. Quem ganhou inclusive foi um rapaz de Icapuí, Jonas Luis. Tenho até que falar com a Secult pra eles ajeitarem isso”, pontua.
A informação é confirmada por Fabrício Vidal, secretário executivo do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (Siec), órgão responsável pelo edital. “Quem ganhou realmente foi o Jonas Luis, (com o projeto) A Sedição de Juazeiro. Mas estamos investigando. No momento, tem um técnico da Secult verificando nossos arquivos para saber o que realmente aconteceu. O mais provável é que tenha sido apenas um mal entendido, devido a um erro na divulgação do ano passado”, confirma. “Assim que tivermos a certeza do que aconteceu divulgaremos. Se verificarmos que houve alguma irregularidade o procedimento seria desclassificar ele (o Moisés) e colocar no lugar o primeiro classificável. Mas essa é a hipótese mais improvável”, completa.
A produtora Caroline Louise da Alumbramento Filmes, que está entrando com recurso para saber as médias de pontuação do longa O Último Trago, que concorreu na modalidade de Longa-metragem de 35 mm, para Capital, faz reclamações quanto a seleção. “Nosso projeto passou por um pitchig (uma avaliação oral do projeto) sem que isso estivesse previsto no edital e fomos informados sobre essa avaliação seis dias antes. Eles disseram que estavam acatando uma proposta do Fórum Cearense de Audiovisual, mas isso não deveria estar no edital?”, pergunta a produtora que questionou ainda sobre a formação da banca avaliadora que o Fórum propôs que fosse formada por nomes reconhecidos nacionalmente e, segundo ela, isso não aconteceu. O secretário executivo explica que o pitching não interferiu na habilitação de nenhum projeto e que a banca foi escolhida a partir de cruzamento de dados do Ministério da Cultura e do Banco do Nordeste.
O edital apresenta ainda uma diminuição no número de projetos contemplados e na verba disponibilizada, num comparativo com 2010. Este ano, os 28 projetos classificados receberão R$ 2,4 milhões, enquanto em 2010 os 48 projetos receberam R$ 3 milhões. Fabrício confronta este dado.“Na verdade, a verba para o edital não diminuiu. É praticamente a mesma do ano passado. O que acontece é que destinamos 20% do valor do edital para formação, através de capacitação em cursos e escolas ao longo do ano que vem”, afirma.
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