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50 anos da morte do criador do personagem 'Amigo da Onça'

É o típico caso em que a criatura se torna maior do que o criador: todos conhecem a expressão "amigo da onça" e seu significado, mas poucos lembram de sua origem. O Amigo da Onça é um personagem criado pelo cartunista Péricles de Andrade Maranhão, morto há 50 anos.

As histórias com o personagem circularam, com muito sucesso, na revista semanal O Cruzeiro, entre 1943 e 1962. Suas características são a exata definição do que conhecemos hoje como "amigo da onça": um camarada simpático e polido, mas que está sempre colocando alguém a sua volta em maus bocados – intencionalmente ou não.

Para Péricles, conviver com seu personagem mais famoso por 18 anos não foi fácil. Chegou um ponto em que os leitores do então considerado maior humorista do país não distinguiam o cartunista do amigo da onça – logo ele, notório pela gentileza. Somado a isso, ainda o atormentavam problemas financeiros e uma crescente solidão.

Reprodução

Péricles Maranhão (acima) e o Amigo da Onça (ao lado); abaixo, cartuns publicados por Péricles na revista O Cruzeiro: sucesso e ironia

Em 31 de dezembro de 1961, Péricles vedou seu apartamento e abriu o gás. Deixou um bilhete em que se dizia "completamente sóbrio", mas afirmava que nunca havia passado a época de fim de ano sem uma palavra de carinho. "Apenas a solidão me levou a este gesto extremo. Talvez assim as coisas melhorem para todos", dizia a nota. Como última medida, deixou na porta de seu apartamento um bilhete que era a antítese do amigo da onça: "não risquem fósforos".

Criação

 

 

O argumento para a criação do Amigo da Onça não veio de Péricles. Os diretores da revista O Cruzeiro já tinham nome e ideia prontas, baseadas numa anedota que estava em voga na época: um caçador pergunta a outro o que faria se visse uma onça; o homem responde que usaria sua espingarda. "E se não estivesse com sua espingarda?", "Usaria meu facão", "E se estivesse sem seu facão", "Usaria um pedaço de pau". E assim corriam perguntas sucessivas, até que o caçador entrevistado se enfurecia e arrematava, "Afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?".

O mote serviu à perfeição para o traço firme e o senso de observação de Péricles. Como vítimas do Amigo da Onça, apareciam todo o tipo de gente, inclusive políticos, mas o forte do cartunista era mesmo o ácido comentário social a partir da observação de sua cidade, como faziam os melhores cronistas da época. Péricles vivia no Rio de Janeiro, então capital do país. Não havia lugar melhor para esculhambar com instituições sociais.

Depois da morte de Péricles, o personagem Amigo da Onça passou a ser desenhado por seu amigo, o cartunista Carlos Estevão, até 1972. Quando Estevão também morreu, e com a Revista O Cruzeiro em decadência, o personagem foi deixado de lado, até cair na relativa obscuridade em que se encontra hoje. Mas o Amigo da Onça ainda é uma instituição conhecida de todos os brasileiros – até porque sobram exemplares vivos do Amigo da Onça por aí.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Fonte: o diario

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