MEC diz não ter como permitir acesso a redações do Enem de 2011
A Procuradoria da República no Ceará ganhou uma liminar que estendeu a todas as pessoas que fizeram o Enem o direito de ver a redação corrigida. Ministério da Educação informou que vai recorrer dessa decisão judicial.
Quatro milhões de estudantes ganharam o direito de ter acesso à correção das redações do Enem do ano passado. Mas nesta quarta-feira (18) o Ministério da Educação anunciou que não tem como cumprir a determinação da Justiça para os alunos que fizeram o último exame e informou que vai recorrer dessa decisão judicial na quinta-feira (19).
Lucas quer estudar medicina. Mas com o resultado que obteve no Enem, não conseguiu vaga em nenhuma universidade pública do Rio. O jovem de 17 anos acha que a nota da redação merecia ter sido mais alta.
Com uma liminar da Justiça, teve acesso à correção feita pelos examinadores e pediu a reavaliação da nota. “Realmente podem acontecer erros. Só que são erros que custam o futuro das pessoas”, diz o jovem.
“Nós conhecemos os alunos, fazemos os trabalhos ao longo dos anos e, de repente, alguém que não tem habilidade na escrita tem a nota altíssima e alunos que escrevem muito bem têm notas baixas”, avalia Bruno Rabin, professor de Lucas.
Em todo o país, 95 instituições públicas de nível superior usam apenas o Enem como critério de seleção. Por isso, o resultado do exame é tão importante.
Segundo o Ministério da Educação, 122 alunos conseguiram na Justiça vista da prova de redação no ano passado e 79 pediram revisão da nota.
Na terça-feira (17), a Procuradoria da República no Ceará ganhou uma liminar que estendeu a todas as pessoas que fizeram o Enem o direito de ver a redação corrigida.
“Eu gostaria de ver o que eu fiz de errado, o que me fez tirar essa nota”, revela uma estudante.
“Nós temos a abertura de uma caixa-preta. Nós temos informações pontuais, pelas provas que foram disponibilizadas em ações individuais, que há sérios vícios nas correções das redações”, afirma Oscar Costa Filho, procurador federal do Ceará.
De acordo com o Ministério da Educação, a redação é corrigida separadamente por dois professores e quando há uma diferença muito grande entre as duas notas, um supervisor faz uma nova correção.
O MEC informou que vai recorrer da decisão da Justiça. O ministério argumenta que não tem condições de cumprir imediatamente essa decisão, e que somente a partir do próximo Enem, os alunos poderão consultar pela internet a redação corrigida. Segundo o ministério, os equipamentos que vão permitir o acesso às provas ainda estão sendo desenvolvidos. E o pedido de revisão da nota só poderá ser feito com autorização da Justiça.
O procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, disse que ordem judicial não se discute. Cumpre-se. E que se o MEC não cumprir a decisão, estará impedindo que haja transparência.
O juiz da Primeira Vara Federal, Luiz Praxedes, informou que só pode se manifestar nos autos do processo.