
O delegado titular da Delegacia da Mem de Sá, Alcides Alves, recebeu nesta quarta-feira (1º) as plantas dos prédios que desabaram na avenida Treze de Maio, no centro do Rio no dia 25 de janeiro. O material será encaminhado à perícia da Polícia Civil para que seja apurada a causa do desabamento. O laudo deve levar 20 dias para ficar pronto.
Com base nas plantas e nos depoimentos de funcionários que recolheram entulhos das caçambas em frente ao prédio, dias antes da tragédia, os peritos pretendem descobrir se o volume e o tipo de material recolhido são proporcionas à quantidade de paredes que podem ter sido retiradas das obras.
O delegado quer saber se a causa do desabamento foi a retirada das paredes do 9º andar.
A planta mostra que o 8º andar era um enorme salão e que no 9º existiam várias salas, muito diferente das imagens exclusivas obtidas pela Rede Record, que mostram a obra que estava sendo feita no local. No vídeo, é possível observar que as paredes não existiam mais.
Até o momento, 25 depoimentos foram anexados ao inquérito policial. Três pessoas foram ouvidas duas vezes porque tiveram depoimentos contraditórios. Nesta quarta-feira, quatro pessoas prestaram depoimentos. Uma delas é o filho do dono de um escritório de contabilidade que perdeu o pai na tragédia. O rapaz deixou o prédio minutos antes que ele viesse abaixo.
Os outros três são funcionários que recolheram entulho das obras .
Vistorias no centro
Na última terça-feira, o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes da entidade, Luiz Antonio Cosenza, vistoriou dois edifícios a alguns metros do local do desabamento.
- Hoje nós vistoriamos uma obra na rua Buenos Aires e outra na rua Uruguaiana. Em três dias, recebemos muitos pedidos de vistoria em obras no centro do Rio e na zona sul, em especial no bairro de Copacabana.
Segundo Cosenza, as duas obras do centro estão regularizadas. Nesse caso, as reformas têm engenheiros responsáveis e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). As obras no nono andar do edifício Liberdade, os mais alto que desabou sobre os outros dois menores na última quarta-feira (25), não tinham laudo técnico e nem profissional responsável.
Construído na década de 1940, o prédio da avenida 13 de Maio passou por várias intervenções sem autorização da prefeitura, como quebra de paredes e abertura de janelas. Cosenza lembra que qualquer obra que exija a derrubada de paredes precisa do acompanhamento de um engenheiro.
- No caso de uma troca de azulejos, pintura ou abertura na parede que não seja de uma coluna para ar condicionado não precisa de um profissional responsável. No caso de derrubada de paredes, o engenheiro realiza cálculos para mensurar a existência de riscos.
Para Cosenza, o síndico deve sempre ficar atento às obras que são realizadas nos prédios. Em caso de indício de irregularidade, ele pode entrar em contato com o Crea pelo telefone (21) 2179-2000.
Depois disso, o conselho verifica se a obra possui ART. Se não houver, a construção, segundo Cosenza, receberá a visita do Crea, que dará ao proprietário da reforma uma notificação com o prazo de 10 dias para a contratação de um engenheiro.
- Vale lembrar que a obra não tem poder de embargar uma obra irregular. Esse papel é da prefeitura ou da Defesa Civil.
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