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Doação de terreno a Lula põe 400 na calçada

A desocupação de um prédio particular invadido por cerca de 400 sem-teto no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no Centro da capital, mudou a rotina da esquina mais famosa da cidade na manhã desta quinta-feira e complicou ainda mais a vida dos despejados. Depois de deixar o imóvel de três andares, o grupo de invasores improvisou com tapumes um acampamento a poucos metros do local, ocupando a calçada com colchões e utensílios domésticos, sob a vigilância da GCM (Guarda Civil Metropolitana).

À tarde, os sem-teto protestaram contra a Prefeitura e fizeram uma votação simbólica,  que decidiu que o prefeito Gilberto Kassab não deveria doar um terreno para a construção da sede do Instituto Lula, mas sim para moradias populares. A proposta de cessão de uma área pública de 4,4 mil m² à ONG  do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apresentada por Kassab à Câmara Municipal na quarta-feira.

A proposta dos sem-teto de invadir o terreno da futura sede do Instituto Lula foi apresentada na assembleia pelo advogado Raimundo Bonfim, da CMP (Central de Movimentos Populares), e foi aprovada por unanimidade. Segundo Osmar Silva Borges, coordenador da FLM (Frente de Luta por Moradia), responsável pela ocupação, os sem-teto podem ocupar o terreno. “Tantas famílias estão lutando para ter um teto e ele (Kassab) anuncia que vai doar um terreno para o Lula fazer marketing político”, disse.

Retirada/ A retirada dos moradores do prédio ocupado desde novembro foi pacífica. A Polícia Militar chegou ao local por volta das 7h. À medida que saíam do edifício, os invasores foram se agrupando a cerca de 80 metros dali, na Avenida São João, onde montaram o acampamento com tapumes. A GCM chegou a dizer que o grupo não poderia ficar ali.

Antes da desocupação, a Prefeitura conseguiu derrubar no Tribunal de Justiça a liminar (decisão provisória) que a obrigava dar abrigo definitivo ao grupo. A Secretaria Municipal da Habitação informou que colocou abrigos à disposição das famílias e realizou a listagem do grupo para inclusão nos programas habitacionais.

Os sem-teto se recusaram a ir para albergues para evitar que as famílias fiquem separadas. O Ministério Público disse que vai recorrer  contra a suspensão da liminar.


Fonte: Rede Bom dia

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