O governador Wilson Martins (PSB) revelou ontem, durante a leitura da mensagem na abertura do ano legislativo na Assembleia Legislativa, que o Piauí deixou de investir R$ 2 bilhões no ano passado, por evasão e perdas de divisas e outros pagamentos. Nas contas feitas pelo governador, foram pagos R$ 700 milhões, ou 16% da receita liquida do Estado, da dívida do Estado com a União e R$ 120 milhões em precatórios na Justiça Comum e do Trabalho.
Outros R$ 600 milhões foram perdidos com a guerra fiscal e as compras feitas pela internet, cujos impostos ficam com os estados produtores. Segundo Wilson Martins, a falta de acordo para regulamentar o e-commerce resultou em prejuízos para o Estado. Em 2010, disse o governador, foram realizadas 736 mil operações pela internet. Em 2011 cresceu e foram realizadas 1,761 milhão de operações. "Temos que regulamentar isso, porque estamos perdendo muita receita e os benéficos das compras pela internet ficam apenas com os estados mais ricos. Esses R$ 2 bilhões, somando tudo, faz muita falta aos investimentos para o Piauí", disse o governador.
A guerra fiscal impôs mais perdas de divisas para o Piauí. "A guerra fiscal impediu que o Piauí arrecadasse mais R$ 600 milhões. O déficit previdenciário obrigou o desembolso de mais de R$ 400 milhões. Há a necessidade urgente de um acordo tanto da bancada estadual, quanto da federal sobre a guerra fiscal, porque os estados consumidores, como o Piauí, estão perdendo dinheiro", lamentou o governador.
Na leitura da mensagem, ele afirmou que seu modelo de gestão é baseado em metas e resultados, com um controle rigoroso de gastos. Informou que fez ajustes financeiros para que as finanças públicas não fossem comprometidas. Wilson Martins pediu aos deputados para aprovarem a lei que regulamenta as compras pela internet, porque o Piauí vem perdendo muitos recursos.
Wilson Martins destacou o controle rigoroso dos gastos públicos que, segundo ele, permitiu o equilíbrio financeiro e resultou numa economia de R$ 120 milhões revertidos em diversas obras. O governador disse que a folha do Estado em 2010 variou em 14% e que em 2011, com o controle rigoroso, a folha só teve variação de 5,2% em relação ao ano anterior. Esse controle de despesas com pessoal se deu por uma série de medidas.
O governador citou ainda os problemas de gestão e administrativos enfrentados pelo Estado. "Enfrentamos uma série de greves. A maioria foi solucionada com base no dialogo. E contratamos mais de mil servidores. E estamos fazendo concurso para mais seis mil servidores. Mas temos que cortar despesas, porque senão o caixa não fecha. Temos feito um esforço para ganhar esta luta", afirmou. O governador disse que foram inauguradas mais de 400 obras durante a sua administração. "Houve um avanço na redução da pobreza e nos índices de desenvolvimento econômico. Mas o Piauí não vive em um paraíso. Mantive o meu compromisso de fazer mais com menos. 2011 foi um ano difícil e de ajustes devido à crise financeira internacional", justificou.