
— Vendo essa tragédia, fiquei com medo de acontecer o mesmo com a gente — desabafou Vânia Beatriz, de 51 anos, moradora da rua.
Há dois anos, a Defesa Civil chegou a interditar toda a rua, por suspeitas de que sete prédios pudessem desabar. A Justiça decidiu que a W Torre, construtora responsável pelas obras, deveria se responsabilizar pela reestruturação de todos os imóveis afetados.
A Igreja de Santo Antônio dos Pobres — em frente ao novo complexo comercial que será ocupado pela Petrobras — teve abalos consideráveis em sua estrutura, chegando a ter o piso rachado.
— A W Torre fez um reforço para solidificar a estrutura, e em abril deve estar tudo pronto — disse o padre Eduardo Braga, de 51 anos.
No edifício Vinte e Dois, os condôminos chegaram a morar por um ano em um hotel, enquanto a empresa realizava obras de reparação, mas as fissuras voltaram a aparecer no ano passado
— O edifício está vazio, as pessoas têm medo de ficar aqui e cair tudo de uma hora para outra — contou Denis Bernardino, síndico do edifício.
Com o surgimento de mais rachaduras — que podem significar um novo deslocamento do edifício —, o síndico pretende fazer um acordo amigável com a construtora, antes de entrar com outra ação judicial.
— Estamos passando pela mesma agonia, queremos uma solução — disse Denis.
Região monitorada
Procurada pelo EXTRA, a empresa W Torre emitiu uma nota, garantindo que a região é monitorada constantemente em 150 pontos, desde a fase de projetos. Sobre as reformas que faz nos imóveis, informou que são estéticas e não estruturais, e, por isso, não oferecem nenhum tipo de risco de desabamento.
Moradores de vila estão preocupados
Uma vila, em frente à construção da W Torre, também pode ter tido sua estrutura abalada. Segundo os moradores, rachaduras e infiltrações começaram a aparecer nos imóveis após o início das obras.
— Eles mexeram no solo, que segurava as casas. Depois disso, tudo está um caos — contou Marta Sabel, de 67 anos, aposentada.
No terreno ao lado da vila, a construtora realiza uma outra obra. Esta, por sua vez, ainda está em fase de escavações, o que poderia estar causando os danos nos imóveis.
Preocupados com as fissuras, os moradores — a maioria idosos — entraram com ação em 2010. Desde então, aguardavam uma decisão da Justiça.
— Eles vão esperar morrer um monte de gente de novo para tomar uma decisão? — perguntou a comerciante Vania Beatriz.
O Tribunal de Justiça informou que o juiz Gustavo Quintanilha concedeu ontem uma liminar, determinando o embargo da obra e a realização imediata de perícia no local.
Últimas notícias