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Rachaduras voltam a aparecer em imóveis interditados na Rua dos Inválidos

cena dos três prédios desabando na Avenida Treze de Maio foi ainda mais apavorante para alguns moradores de outra região do Centro do Rio. O receio de uma tragédia já rondava há dois ano a cabeça de quem vive num trecho da Rua dos Inválidos, mas agora o medo tomou proporções gigantescas. Rachaduras voltaram a aparecer em imóveis vizinhos ao Centro Empresarial Senado, que começou a ser erguido em 2009.

— Vendo essa tragédia, fiquei com medo de acontecer o mesmo com a gente — desabafou Vânia Beatriz, de 51 anos, moradora da rua.

Há dois anos, a Defesa Civil chegou a interditar toda a rua, por suspeitas de que sete prédios pudessem desabar. A Justiça decidiu que a W Torre, construtora responsável pelas obras, deveria se responsabilizar pela reestruturação de todos os imóveis afetados.

A Igreja de Santo Antônio dos Pobres — em frente ao novo complexo comercial que será ocupado pela Petrobras — teve abalos consideráveis em sua estrutura, chegando a ter o piso rachado.

— A W Torre fez um reforço para solidificar a estrutura, e em abril deve estar tudo pronto — disse o padre Eduardo Braga, de 51 anos.

No edifício Vinte e Dois, os condôminos chegaram a morar por um ano em um hotel, enquanto a empresa realizava obras de reparação, mas as fissuras voltaram a aparecer no ano passado

— O edifício está vazio, as pessoas têm medo de ficar aqui e cair tudo de uma hora para outra — contou Denis Bernardino, síndico do edifício.

Com o surgimento de mais rachaduras — que podem significar um novo deslocamento do edifício —, o síndico pretende fazer um acordo amigável com a construtora, antes de entrar com outra ação judicial.

— Estamos passando pela mesma agonia, queremos uma solução — disse Denis.

Região monitorada

Procurada pelo EXTRA, a empresa W Torre emitiu uma nota, garantindo que a região é monitorada constantemente em 150 pontos, desde a fase de projetos. Sobre as reformas que faz nos imóveis, informou que são estéticas e não estruturais, e, por isso, não oferecem nenhum tipo de risco de desabamento.

Moradores de vila estão preocupados

Uma vila, em frente à construção da W Torre, também pode ter tido sua estrutura abalada. Segundo os moradores, rachaduras e infiltrações começaram a aparecer nos imóveis após o início das obras.

— Eles mexeram no solo, que segurava as casas. Depois disso, tudo está um caos — contou Marta Sabel, de 67 anos, aposentada.

No terreno ao lado da vila, a construtora realiza uma outra obra. Esta, por sua vez, ainda está em fase de escavações, o que poderia estar causando os danos nos imóveis.

Preocupados com as fissuras, os moradores — a maioria idosos — entraram com ação em 2010. Desde então, aguardavam uma decisão da Justiça.

— Eles vão esperar morrer um monte de gente de novo para tomar uma decisão? — perguntou a comerciante Vania Beatriz.

O Tribunal de Justiça informou que o juiz Gustavo Quintanilha concedeu ontem uma liminar, determinando o embargo da obra e a realização imediata de perícia no local.




Fonte: extra

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