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Encontro Amigos da Torá começa com música e exposição. Neste domingo tem cinema, inquisição e tortura

Depois de começar na noite deste sábado com um bom público e apresentações musicais com canções hebraicas tradicionais e músicas cantadas em ritmo de forró e letras hebraicas, o VI Encontro Amigos da Torá tem continuidade na tarde deste domingo (19) às 15h, com apresentações de filmes judaicos que relatam perseguição e morte contra judeus durante o século XVIII. O encontro está sendo realizado no Museu de Artes Assis Chateaubriand e segue até a próxima terça-feira (21) quando á noite haverá uma grande mesa redonda para discutir a intolerância no passado e nos tempos de hoje. Na abertura do evento o presidente da Associação Amigos da Torá, Davi Ben Avrahan, falou aos presentes e externou seu sentido de paz para todos em todo o mundo. O coordenador de eventos turísticos e artes de Campina Grande, Gustavo Pontinneli, esteve presente e falou em nome do prefeito Veneziano Vital do Rêgo.

O ponto alto do VI Encontro Amigos da Torá acontece, entretanto, nas noites deste domingo e na segunda-feira, a partir das 19h, quando será apresentada a peça O julgamento e morte de Branca Dias, uma paraibana que foi perseguida, torturada e morta durante a inquisição promovida pela Igreja Medieval. A peça é interativa e o público faz parte do espetáculo, seguindo Branca Dias sendo arrastada por um carrasco até o Tribunal da Inquisição, sendo torturada com máquinas feitas especificamente para provocar dor e, por fim, sendo levada para a masmorra, onde tem seu corpo praticamente todo dilacerado por seus algozes.

Há efeitos especiais de som e luz e todo um clima de penumbra, dor e tensão foi criado no cenário, que inclui mobília e figurino da época. Os efeitos visuais não param por ai, já que alguns atores apresentam grandes ferimentos abertos e sangue pelo corpo e tudo parece real. O cenário inclui ainda animais dividiam o espaço da masmorra com presos, a exemplo de vários ratos e aranhas. Objetos de tortura estão expostos ao longo do caminho. A apresentação da peça começa no piso principal do museu, mas segue até o subsolo, onde esta o ambiente mais aterrorizante. Logo na entrada do museu o visitante já encontra uma exposição de gravuras mostrando diversos momentos da inquisição e também a relação dos paraibanos perseguidos, torturados e mortos naquela época. A lista inclui mais de 190 nomes. Durante todo o evento, que segue até a terça-feira à noite, as pessoas poderão visitar a exposição e também o cenário da peça, vendo de perto o Tribunal da Inquisição e suas incríveis máquinas de tortura. A organização do espetáculo adverte que crianças com menos de 12 anos de idade não devem ser levadas para o local.

ELENCO

Um grupo de atores de Campina Grande está encenando a peça sobre o julgamento e morte de Branca Dias e durante os ensaios foram vários os elogios, tanto para a atuação de cada um, como para o conjunto do cenário, que chama a atenção pela originalidade. Um dos destaques da apresentação é de Samantha Pimentel, que interpreta Branca Dias e consegue emocionar a todos e repassar sentimentos de dor e sofrimento para a platéia. Também os atores Gedeão Ferreira (que faz o inquisidor) e Marcos Moraes (que interpreta o carrasco) estão impecáveis em suas atuações.

A direção do espetáculo é de Elisângela Cabral, que precisou estudar, pesquisar e assistir filmes da época para conhecer detalhes da inquisição e preparar o figurino e as falas dos atores. Faz parte ainda da peça Márcia Menezes, que faz o papel de uma das presas no calabouço e também é assistente de direção. O elenco é composto ainda por Gerlane Marques e Lucas Pereira.


Fonte: Redação com Ascom

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