A se confirmar o cenário de muitas candidaturas, especialmente entre os grandes partidos, que vem se apresentando em João Pessoa e Campina Grande, teremos um Guia Eleitoral extremamente fatiado nas eleições deste ano.
Até agora, nada de composições partidárias que sugiram grandes espaços televisos em favor do candidato.
A telinha, a continuar desse jeito, será fatiada em vários pequenos pedaços para os candidatos dos grandes partidos, a exemplo do PMDB, PSDB, PT, Democratas e PSB, todos com pré-candidaturas a prefeito na Capital, exigindo maior malabarismo dos marqueteiros, obrigados a dizer muito em menos tempo, e supondo uma relevância maior das legendas de médio porte, que passarão a ser responsáveis por desequilibrar os tempos definidos.
Em João Pessoa, pra se ter uma ideia, serão desfeitas, ao menos por enquanto, as composições PMDB e PSB e PSDB e DEM, que encabeçaram os grandes blocos em 2008.
Partidos como o PTB, o PDT, o PR, o PP, por exemplo, ganharão, dentro desse contexto, uma importância maior do que a natural, porque virão deles os preciosos minutinhos a mais para compor um bom tempo de televisão.
Isso significa que, na disputa pela composição partidária, cada partido de médio porte entrará na negociação “vendendo” algo que, embora se diga gratuito, não o é. Tempo de de tevê é caro sim e vale uma vaga de vice-prefeito.
Se não correrem atrás de composições que, de fato, sugiram bons tempos de televisão, coisa que até agora não aconteceu, figuras como Cícero Lucena (PSDB), José Maranhão (PMDB), Estelizabel Bezerra (PSB), Nonato Bandeira (PPS), Luciano Cartaxo (PT), caso confirmado, Toinho do Sopão (PTN), entre outros, vão precisar rever algumas aulas com o saudoso Enéas, dono do bordão mais famoso e conciso da política brasileira, pra aproveitarem o máximo do mínimo tempo que terão.
O mesmo vale pra figuras como Daniella Ribeiro (PP), que tem uma das situações mais críticas diante da polarização em Campina, Tatiana Medeiros (PMDB), Alexandre Almeida (PT) e Guilherme Almeida (PSC) na Rainha da Borborema.
O deputado federal Romero Rodrigues, do PSDB, é um dos únicos que, em Campina Grande, já pode se sentir em posição privilegiada, já que, teoricamente, poderá contar com o apoio do PSB, dos Democratas, além do PSD, que disputa na Justiça o direito a tempo de televisão.
De toda forma, o quadro supõe um bolo pequeno dividido em pequenas fatias pra muita gente, o que matará alguns de inanição.
E pra quem acha que tempo de televisão não é importante para nutrir uma candidatura no processo eleitoral devo lembrar que, nas eleições de 2008, em 20 das 26 capitais brasileiras venceram os candidatos a prefeito que detinham mais tempo de televisão.
Ou seja, em 77% dos casos ganharam os que tiveram mais espaço para expor suas qualidades e ressaltar os defeitos do adversário na telinha mágica. Três entre os 26 eleitos detinham o segundo maior tempo. E apenas dois – Amazonino Mendes (Manaus) e Duciomar Costa (Belém) - ganharam mesmo tendo o quarto tempo no Guia.