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UEPB e Ministério da Justiça executam projeto de valorização dos bens históricos da Paraíba

Publicado em 19/06/2012 - 14:03
Um movimento de caráter republicano e separatista, momento histórico, de valor singular para o país, que instituiu pela primeira vez uma república em território brasileiro. A Revolução de 1817 representa um marco na história da Paraíba, época que pode ser lembrada através dos prédios, monumentos, placas, espaços que grande parte da população desconhece o verdadeiro valor.
 
Com o intuito de promover reflexões e atividades que orientem o processo de valorização e “apropriação” desse patrimônio cultural local relacionado à Revolução de 1817 e estabelecer sua inter-relação com políticas públicas de nível nacional e internacional, foi criado o projeto “Antes que se apague completamente: memória e patrimônio da Revolução de 1817 na Paraíba”, desenvolvido por meio de um convênio entre Universidade Estadual da Paraíba e Ministério da Justiça.
 
Esse convênio foi assinado em 2010. No ano seguinte foram liberadas as verbas de financiamento das ações e as atividades tiveram início em março deste ano. A iniciativa é desenvolvida por 12 estudantes bolsistas do Curso de Relações Internacionais da UEPB, Campus V, sob a coordenação da professora Eliete de Queiroz Gurjão.
 
O trabalho é focado na Educação Patrimonial, resgate da memória e recuperação do patrimônio. Alguns dos objetivos do projeto são identificar o patrimônio cultural enquanto objeto de estudo referencial para a formação das identidades locais; atuar como “embaixadores da cultura” junto aos órgãos gestores do patrimônio, no debate e implantação de políticas de preservação do patrimônio cultural da Revolução; além de proporcionar um diálogo entre o ensino superior e setores da comunidade no sentido de mudar a forma de conceber e tratar o patrimônio cultural da Revolução.
 
De acordo com a professora Eliete Gurjão, o termo Educação Patrimonial ainda é desconhecido em todo o país, fruto do descaso da sociedade e do poder público com a preservação do patrimônio. “Assistimos cotidianamente ao desenrolar de um círculo vicioso: os poderes públicos ignoram o significado mais profundo do patrimônio cultural e a necessidade de sua preservação. Consideram importantes apenas aqueles monumentos que podem contribuir para promovê-los, atribuindo-lhes capacidade e eficiência administrativa, ou na melhor das hipóteses, aqueles que homenageiam grandes personagens políticos, consagrados pela história oficial”, avalia a professora.
 
A docente acrescenta que a população também ignora o real significado daqueles que são popularmente conhecidos como “prédios velhos” e “estátuas daqueles homens”, atitudes que Eliete acredita que ocorram por absoluta carência de uma mentalidade de natureza preservacionista.
 
Etapas do projeto
 
Visando realizar intervenções que desfaçam essa mentalidade de desvalorização e estimulem a preservação do patrimônio cultural da cidade, o trabalho teve início com o levantamento da bibliografia especializada e sessões de debates, referente à Revolução de 1817 e à noção de Educação Patrimonial. Em seguida, foram realizadas oficinas de Educação Patrimonial que permitiram aos participantes entrar em contato direto com a metodologia de trabalho proposta, baseada na observação, análise e registro dos acervos histórico-culturais que constituem o objeto do projeto.
 
Após o treinamento dos participantes, foi iniciada a abordagem direta do público-alvo (a população do entorno da Praça 1817, em João Pessoa), para a realização de entrevistas. A perspectiva é que, até o fim do projeto, sejam entrevistadas cerca de 340 pessoas, para que se tenha uma amostragem desse público.
 
Durante a etapa final, serão realizados plantões em diversas praças públicas de João Pessoa, iniciando no Ponto dos Cem Réis, onde será montada uma Estação Patrimonial. Nesta etapa, a equipe do projeto irá fornecer informações e manter diálogos com a população que circula por essa área, distribuindo material para divulgar os princípios e práticas da Educação Patrimonial de forma didática.
 
Segundo a professora Eliete Gurjão, embora o projeto ainda esteja em execução, já se pode perceber que a ação educativa está motivando parte da população-alvo, levando-a a refletir sobre a importância do patrimônio para a identidade da cidade e despertando o sentimento de pertencimento, necessário principalmente em tempos de pós-modernidade.
 
O projeto será realizado até maio de 2013 e, ao término das ações será publicado um livro paradidático para ser distribuído em escolas públicas de todo o Estado.


Fonte: Redação com Ascom

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