Os policiais militares que estão sob investigação em Campina Grande, na Paraíba, acusados de terem espancado até a morte um rapaz da cidade, no último domingo (5), prestaram depoimento nesta quinta-feira (9). A previsão é que 18 PMs sejam ouvidos ao todo, 12 deles estariam diretamente envolvidos no caso.
Os depoimentos fazem parte do inquérito instaurado pela Polícia Civil para esclarecer a morte de Tiago Moreira, deixado na noite do último domingo (5) com os pés e mãos amarrados na entrada do Hospital Doutor Edgley. Nessa quarta (8), o Comando do 2º BPM, que corresponde a Campina Grande, informou que oito PMs foram afastados das atividades de rua até que as investigações sejam concluídas.
A Polícia Civil afirma que não vai divulgar os nomes ou patentes dos suspeitos para não comprometer as investigações. Nessa quarta, foi divulgado o resultado do laudo preliminar feito pelo Núcleo de Medicina Legal (Numol). O exame confirma que o corpo de Tiago tinha marcas de agressão e escoriações graves, mas o laudo não as associa ou descarta da causa da morte do rapaz.
Já foram ouvidos familiares do rapaz e pessoas do hospital onde ele foi deixado.
O CASO - No último domingo (5), um rapaz foi deixado em frente ao Hospital Doutor Edgley, algemado e com os pés amarrados, afirmam funcionários da unidade. A esposa dele acusou policiais de o terem assassinado, depois que ele invadiu a casa de um militar em crise de abstinência de drogas.
Segundo a direção do hospital, a vítima já chegou ao local sem vida. Rumores surgiram de que um médico teria sido obrigado a mentir no relatório, afirmando que o rapaz chegou com vida, mas não foram confirmados pela polícia.
Os policiais que atenderam a ocorrência afirmaram que o procedimento foi realizado de maneira usual, sem excessos. Segundo eles, o rapaz teria entrado na casa e agredido o policial e a esposa dele, que pediram reforço para conter o rapaz.