
Uma dona de casa de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), luta há 18 anos para conseguir corrigir um erro médico que teria deixado uma agulha cirúrgica em forma de U em sua perna esquerda. "Fiquei muito assustada. Perguntei o que isso poderia me causar, o médico disse que talvez poderia trazer uma infecção. Mas ainda tenho muito medo", disse. "Mesmo que não tenha nenhum problema mais sério, quero corrigir isso. A agulha me incomoda muito, sinto muita queimação na coxa, às vezes dá umas fincadas fortes, como se algo estivesse me espetando. Não posso ser tocada nessa perna", afirmou.
Segundo a dona de casa, os funcionários do hospital não sabem dizer quais foram os médicos que fizeram parte da equipe que a operou. "Sempre que vou lá eles dizem que não têm mais esses registros. Saí do hospital apenas com o atestado de alta, que não informa nada."
Ela diz que voltou ao hospital quando descobriu a agulha. "Não lembro mais quem me atendeu, já faz quase 20 anos, mas me disseram que eu já tinha muita peça dentro do corpo, que uma agulha a mais não iria fazer mal. Fui muito ofendida e a partir desse dia não voltei mais lá", disse.
A assessoria de imprensa do hospital Belo Horizonte, onde Neusa fez a cirurgia, informou que desde 1999 a instituição é administrada por um outro grupo empresarial. Segundo eles, desde essa data a direção não recebeu nenhuma queixa judicial ou pessoal da paciente.
O advogado da dona de casa, Antônio Carlos Teodoro, presidente da Organização Não Governamental SOS Vida, disse que a instituição deve ser responsabilizada, mesmo que o hospital seja administrado por um outro grupo. "Há um principio de responsabilidade subsidiária que deve ser respeitado."
Teodoro afirmou que o primeiro passo será entrar com um mandado de segurança para que a paciente possa fazer a cirurgia de retirada da agulha em um outro hospital. Posteriormente, será iniciado o processo de responsabilidade civil contra o hospital, para garantir uma indenização por danos morais à paciente: "Esperamos que dentro de um mês ela já possa fazer a cirurgia para retirar a agulha," afirmou.
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