
O caso aconteceu no saguão do aeroporto, na semana passada, e provocou revolta em movimentos negros de Sergipe. Segundo a delegada Georlize Teles, Delegacia de Grupos Vulneráveis, que investiga o caso, o voo para a Argentina estaria programado para sair por volta das 5h e a passageira teria chegado ao balcão para fazer o check-in por volta das 4h30m.
- O tempo não era suficiente para ela embarcar, pois o check-in de voos internacionais é feito aproximadamente duas horas antes do embarque - ressalta a delegada.
Ela diz que o delegado plantonista Washington Okada, que registrou a ocorrência, interrompeu a apuração do caso e não prendeu Ana Flávia em flagrante, devido à complexidade do caso e dos vários depoimentos conflitantes.
- O crime é inafiançável, mas como ele (delegado) não conseguiu configurar o crime, resolveu liberar a médica. Neste momento, não há como pensar mais em fiança - ressalta.
A delegada disse que vai pedir a fita das gravações do circuito de segurança do aeroporto.
- Quero checar os horários e se as câmeras registraram o problema. Não posso descartar o uso das imagens veiculadas na internet, em virtude da repercussão que o caso tomou. Enquanto isso, vou ouvir o depoimentos dos envolvidos e das testemunhas.
O Boletim de Ocorrência, registrado preliminarmente na Delegacia de Plantão de Aracaju relata que a médica teria invadido o espaço destinado aos funcionários da companhia aérea após ser informada de que não poderia embarcar. Em depoimento à polícia, o supervisor da Gol disse que a médica teria ficado descontrolada e gritado que a viagem para a Argentina seria de lua de mel. Em seguida, ainda de acordo com o depoimento do funcionário da Gol, ela passou a quebrar objetos do balcão da empresa e a jogar papéis no chão.
Na tarde desta quarta-feira, o advogado Emanuel Cacho assumiu a defesa de Ana Flávia Pinto e defendeu sua cliente.
- Ela estava sobre um estado traumático vindo do casamento. Ela pede desculpas as pessoas e a sociedade pelo ocorreu - destaca o advogado.
Em nota, a médica disse que 'o episódio foi fruto de um somatório de circunstâncias as quais me afetaram emocionalmente, induzindo-me a uma situação de extremo estresse' e que 'minhas atitudes, em nenhum momento, foram revestidas de qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja'. Ela ainda acrescenta que fez o check in 'depois de uma noite atribulada em razão do estresse, ansiedade e desgaste físico relacionados às fases antes, durante e pós núpcias'.
No fim da nota, a médica pede 'desculpas ao funcionário da Gol , Diego José Gonzaga, e a toda sociedade sergipana pelo lamentável episódio' e disse que se coloca 'à inteira disposição da justiça para os esclarecimentos que se fizerem necessários'.
Segundo a delegada da Delegacia de Grupos Vulneráveis, Georlize Oliveira, a delegacia tem feito uma apuração isenta e técnica para que o Ministério Público e o Judiciário possam se estabelecer com elementos suficientes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também resolveu entrar no caso e nesta quinta-feira vai acompanhar o depoimento do funcionário da empresa aérea na delegacia.
Últimas notícias