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Apple imita a China

A multinacional norte-americana Apple, já conhecida por não deixar que os
donos de iPhones instalem o aplicativo que desejam em seu telefone, agora
imita a censura chinesa  e resolve definir o que é adequado ou "altamente
inadequado " - conforme palavras do vice-presidente da Apple, Phil
Schiller, em entrevista ao The New York Times - aos usuários do aparelho.
Ou seja, os donos de iPhone não podem decidir o que é adequado, pois a
Apple já decidiu por eles. É como se o usuário comprasse um computador novo
e a fabricante do equipamento só permitisse a instalação de aplicativos
vendidos e liberados por ela.

Este fato derruba a liberdade de expressão, bem como a liberdade sexual -
avanço que, em países civilizados, permite que cidadãos possam acessar todo
tipo de conteúdo, seja sensual, erótico, pornográfico ou gay, de acordo com
sua própria vontade.

Cinco mil empresas acreditaram na Apple e investiram tempo e dinheiro para
lançar aplicativos na APP Store, inclusive seguindo os critérios obscuros
do que é “adequado” para a companhia. Após isso, são repentinamente
avisadas de que seus aplicativos foram retirados do ar, de forma totalmente
arbitrária.

O mais curioso é que aplicativos da revista Playboy e calendários de
mulheres seminuas da Sports Illustrated não foram retirados do ar. A
explicação de Schiller para casos como estes seria de que se tratam de
“empresas conhecidas com material publicado em formato de grande
aceitação”. É como se os outros países também não possuíssem conteúdos de
“grande aceitação”. Novamente, a Apple tomou a decisão sozinha.

Isto nos leva a questionar qual será o próximo passo da Apple. O bloqueio
do Safari, seu navegador, para sites que a empresa considera inadequados?

A Apple precisa, enfim, adaptar-se ao mundo democrático. Precisa derrubar
as barreiras que impedem a livre circulação de todos os aplicativos, o que
inclui deixar para trás critérios subjetivos de aprovação de conteúdos e a
obrigatoriedade da passagem pela Apple Store. Assim como fazem todos os
fabricantes de computadores e de sistema operacional, a empresa deve sim
liberar em sua loja os APPs com conteúdo sensual, pornográfico ou gay.



Fonte: Bella Semana
Imagens: Arquivo

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