
O deputado federal Vital do Rego Filho (PMDB-PB) foi à tribuna da Câmara falar sobre o falecimento do seu pai, ex-deputado federal Antônio Vital do Rego, ocorrido no último dia 2 de fevereiro. Durante o discurso, que durou mais de dez minutos, Vitalzinho, visivelmente emocionado, destacou as várias etapas da vida de Dr. Vital e falou sobe a atuação dele no parlamento e em outras atividades que assumiu, em vida.
Ele iniciou agradecendo “os gestos de carinho, de afeto, de amor e de solidariedade que o Brasil, a Paraíba e a minha Campina Grande ofereceram por ocasião da passagem de meu pai, Vital do Rêgo, para uma outra vida, para uma outra dimensão, bem mais próxima de Deus e guardada àqueles que Ele chama, aos justos, cujo espaço reservou para o homem de que hoje cultivamos a memória”.
Vitalzinho agradeceu as referências feitas no plenário no dia do falecimento do Dr. Vital, tanto pelos deputados presentes à sessão do dia 2, quanto aos que se referiram ao tribuno através de outros meios, destacando “a inatingível amizade que foi selada entre ele (Vital) e quase um terço deste Congresso”.
Vital Filho lembrou que o parlamento federal, na sua opinião, foi “o ambiente que mais trouxe alegria a Vital do Rêgo” e citou a referência que o Congresso fez à sua pessoa, quando do primeiro dia de mandato, lembrando da atuação do tribuno. “Quando assumi pela primeira vez esta tribuna, vieram dezenas e dezenas de amigos de Vital perfilar no microfone de aparte falando das suas 3 passagens por esta tribuna, por este Congresso”.
Segundo ele, o parlamento federal “tinha um grau de visibilidade, de importância para Vital tão grande, que o seu nome era Antonio Vital do Rêgo, o seu nome parlamentar era Vital do Rêgo e ele batizou seu primogênito de Vital do Rêgo Filho”, disse. “Parece que ele se desligou da história maternal, da mãe que no momento cunhou o seu nome de batismo de Antonio Vital, e passou a ser tão grande este Parlamento que Vital do Rêgo gerou um filho Vital do Rêgo Filho”, completou.
Referências múltiplas - Vitalzinho destacou que, desde 2007, quando assumiu o mandato, várias foram as oportunidades em que foi perguntado, em Brasília, pelo pai, de funcionários do Congresso Nacional (ele citou membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, que já foi presidida por Vital e da qual Vitalzinho é membro titular) à Corregedoria da Câmara, implantada por Vital.
Vitalzinho citou ainda Ministros do Superior Tribunal de Justiça, do Supremo Tribunal Federal, membros do Tribunal de Contas da União e de outros órgãos. “Isso me fazia crer que as grandezas materiais, que nunca estiveram vivas e presentes no patrimônio de Vital, porque ele era desapegado a tudo isso, tinham para me dar uma herança extraordinária e espetacular: a herança do seu nome, a herança da sua história”.
Vital Filho citou ainda as funções assumidas pelo pai e citou “o Vital Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil ao longo de 4 gestões; o Vital Deputado Estadual, Líder do Governo de Pedro Moreno Gondim; o Vital advogado criminalista de 500 júris e apenas 4 reveses; o Vital homem público que esbanjava sabedoria, conhecimento e dignidade; o Vital homem muitas vezes injustiçado, porque queria aplicar os conceitos filosóficos, éticos e morais de sua vida numa política de direitos humanos no aparato penitenciário da Paraíba e do Brasil”.
Pedido de Vida – Vital Filho fez uma revelação sobre os dias de internação do pai. Por ser médico, ele lamentou não tê-lo salvo e citou uma “indisciplina” de Dr. Vital. “Acompanhei, de novembro para cá, a sua indisciplina, porque não queria se tratar, e a sua fragilidade, porque, quando pensou em se tratar, antes de discutir comigo, pela última vez, formas de procedimento, porque queria entender de medicina, olhou para mim - ele me chamava de Carmelengo - e disse: ‘Carmelengo, eu quero viver!’”.
Ele citou as orações em favor do pai e a dedicação da família a seu tratamento. “Durante os 33 dias em que ele esteve internado, entubado, inconsciente, semiconsciente, eu, minha irmã Raquel - na verdade, a médica titular da família - e meu irmão Veneziano, que deixou as atividades de Prefeito de Campina Grande para estar junto ao pai, nos revezávamos para tentar extrair de nós, do nosso interior, toda a energia que pudesse ser repassada a ele”.
Vitalzinho enalteceu as qualidades do pai, referindo-se a ele como inspiração para a sua vida. “Nos seus últimos momentos eu o encontrei sereno, em paz, sabendo que tinha feito o que Deus tinha desejado no seu plano e estava partindo. Foi essa a última imagem, a última lembrança. Daí em diante, dor e saudade. Saudade é próprio daqueles que amam. E eu fico aqui. Quando subo a esta tribuna, sinto-me mais órfão. Eu falava com ele
Ele concluiu o discurso fazendo um agradecimento aos que manifestaram sentimento pelo falecimento do Dr. Vital. “Quero, em meu nome, em nome dos meus irmãos e em nome da minha mãe, deixar registrado o mais sagrado, o mais afetuoso, o mais saudoso, o mais agradecido gesto de apoio e de solidariedade que recebemos Brasil afora. Vital não morreu, ele é único e eterno, nasceu para Deus”.
Luiz Couto – Depois do emocionado discurso de Vitalzinho, o deputado federal Luiz Couto (PT-PB) usou a tribuna também para enaltecer as qualidades de Vital do Rego. “Em relação ao Deputado Antonio Vital do Rêgo se aplica a expressão usada no sertão da Paraíba pelo nosso camponês: morre o homem e fica a fama. A fama de lutador, de homem que não tinha papas na língua. Mesmo quando estava no Governo, questionava políticas do Governo que contrariavam os direitos humanos”, lembrou.
Para Luiz Couto, Vital do Rego, “como São Paulo, terminou a caminhada, guardou a fé, guardou a dignidade e lhe resta a coroa da justiça, que Deus reserva para aqueles que, na terra, procuraram viver segundo a Sua vontade”. E parabenizou Vitalzinho. “Eu sentia a presença dele no segundo turno, quando, em cima de um carro, fazia campanha com seu filho Veneziano. A alegria dele em saber que ali a luta continuava, não parava. Rezamos a Deus para que possa, na Sua imensa misericórdia, tê-lo na pátria celestial”, afirmou o deputado-padre Luiz Couto.
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