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Universidades vão criar método para avaliar o Enem

A Universidade de Brasília se une a outras federais do país para montar uma metodologia de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A ideia é ampliar o debate sobre os objetivos políticos e pedagógicos da prova que, apesar de já estar na sua 11ª edição, ainda não conta com uma forma de avaliação. Ao todo, 51 universidades adotam o teste do Ministério da Educação (MEC), em diferentes níveis, como uma forma de substituir ou complementar o vestibular tradicional.

A primeira reunião para debater o método de avaliação ocorreu nesta sexta-feira, 5 de fevereiro, na sede da Associação Nacional das Instituições de Ensino Superior (Andifes). “Vamos focar na parte técnica, que vai desde a inscrição do candidato, passando pelo conteúdo das questões e o modelo de correção”, comentou o presidente da entidade, Alan Barbiero. Ano passado, o MEC apresentou uma proposta de unificar os processos seletivos para o ensino superior por meio da nota do Enem.

O vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, acredita que qualificar a aplicação da prova legitimará o Enem enquanto ferramenta de democratização do acesso às universidade públicas. “Toda nova forma de avaliação deve ser testada a fim de comprovar seus resultados. E, a cada ano, cresce o número de instituições que usam o Enem para substituir ou complementar o vestibular”, observou o professor, representante da UnB na reunião.

No Enem de 2009, que teve o recorde de 4 milhões de inscritos, 25 universidades substituíram o vestibular pelo exame. Entre elas, as federais da Bahia (UFBA), do Tocantins, (TO) e de Pelotas (UFPEL). Outras seis adotaram o exame para complementar à nota, como, por exemplo, Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), que deu peso de 50% ao teste do governo federal na menção final. “Até o momento, a maioria das experiências têm sido positivas”, comentou Alan Barbiero.

A UnB deve integrar o Enem ao processo seletivo a partir de 2011. “Temos interesse em participar dessa corrente. Mas a forma como vamos fazer essa associação ainda não foi definida”, ressaltou João Batista.

AUTONOMIA – Dois pontos se destacam na proposta do MEC de avaliação unificada. Primeiro, o Enem enquanto “vestibular” acabaria com o favorecimento financeiro dos candidatos que podem pagar as taxas de inscrição ou viajar para fazer provas em diferentes estados. Segundo, o exame estreitaria as relações entre diretrizes curriculares dos ensinos médio e o superior. Dados do governo federal revelam que 70% dos estudantes buscam o Enem para ter o acesso à universidade.

Apesar dos avanços, o professor João Batista destaca a necessidade de manter a autonomia das universidades em relação à escolha da forma de integrar o Enem ao vestibular. “Realizamos diversos debates com a comunidade sobre o Enem e chegamos à conclusão de que contamos com um método de seleção primoroso. No entanto, estamos abertos a outras formas de democratizar a educação”, afimrou ele. A próxima reunião do grupo de reitores será em 24 de março, na sede da Andifes.


Fonte: planeta Universitario

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