Conexão Brasil x Itália // Pernambucanas levadas para sexo na Itália
Mulheres pernambucanas com idades entre 20 e 30 anos estão na lista das pessoas levadas por dois empresários, um italiano e outro potiguar, acusados de fazerem parte de um esquema internacional de tráfico de seres humanos. Os dois empresários, que não tiveram as identidades reveladas, foram presos na última quinta-feira por agentes da Polícia Federal do Rio Grande do Norte. A polícia suspeita que pelo menos 100 mulheres dos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo foram aliciadas pela dupla. As prisões acontecem em meio às investigações da Polícia Civil de Pernambuco sobre a suspeita do envolvimento de Delma Freire de Medeiros, 48 anos, sogra da alemã Jennifer Kloker, 22, assassinada no dia 16 de fevereiro, com o tráfico de seres humanos para a Itália. Chamada de Operação Ferrari, a prisão da dupla aconteceu após oito meses de investigação. Há suspeitas de que os crimes aconteciam desde 2007.
Segundo o superintendente da Polícia Federal no RN, Marcelo Moisele, a denúncia foi feita pelo Centro de Referência Mulher Cidadã, vinculado à Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social de Natal (Semtas). De acordo com o órgão, cerca de 16 natalenses estariam sendo agenciadas para a Itália, onde tornavam-se verdadeiras reféns do empresário, dono de uma boate. "Algumas sabiam que tratava-se de prostituição, outras achavam que iam apenas para dançar e fazer strip", disse o superintendente.
O pesadelo começava quando as mulheres chegavam ao país europeu, onde eram obrigadas a ressarcir os custos da viagem e, sem terem a devida noção desses valores, eram enganadas. "Algumas já chegavam lá devendo três mil euros", explica Moisele, acrescentando que, por isso, ficavam à mercê dos criminosos e eram obrigadas a trabalhar na boate como forma de pagar a dívida. "Cada mulher tinha que repassar cinco euros por dia de trabalho ao aliciador brasileiro", relatou o superintendente. Outro fator que, para a PF, torna o caso ainda mais grave é o fato de muitas dessas brasileiras apresentarem problemasno fígado, pelo exagerado, quase que diário, consumo de bebidas alcoólicas. Muitas estão com depressão e algumas abortaram.
A PF já entrou em contato com a polícia italiana e com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), que deverão localizar, entrevistar e resguardar as brasileiras que continuam escravizadas no país europeu. "Só então poderemos saber quantas são de cada estado envolvido e trazê-las de volta", explica o superintendente. Sobre as possíveis ramificações da rede desbaratada ontem, ele limita-se a dizer que começou a operação pelos "cabeças" e que as investigações devem continuar nos próximos dias.
O italiano, segundo informou a PF, foi preso dentro de um hotel de luxo em Ponta Negra. O potiguar, localizado e detido em casa, também em Natal. Na residência, os agentes apreenderam um notebook, máquinas fotográficas, uma impressora, cerca de 40 carteiras de trabalho e outros documentos. Se condenados, podem pegar até 13 anos de reclusão. A PF calcula que o tráfico internacional demulheres seja a terceira atividade mais rentável do Brasil, perdendo apenas para o comércio de drogas e de armas.
Fonte: Diário de Pernambuco
Imagens: Polícia Federal do RN/Divulgação