As micaretas – festas de Carnaval fora de época – já começam a invadir o calendário brasileiro. Em abril, foi o Carnabeirão, de Ribeirão Preto, e, em setembro, rola o Carnariopreto, em São José do Rio Preto – duas grandes festas do Estado de São Paulo.
O Nosso Mundo aproveita e traz uma dica que pode se espalhar para todas as festas. Ao som do refrão “Transformai as velhas formas do viver”, da música Tempo Rei, de Gilberto Gil, a organização de seu famoso camarote no Carnaval de Salvador – o Expresso 2222 – decidiu revolucionar. O tema base para todo o evento foi a transformação.
O primeiro passo foi substituir materiais não reaproveitáveis que faziam parte da estrutura do lugar. O uso de massa corrida se reduziu em 80%, e o de tinta, em 50%. No lugar do gesso, entraram placas recicladas de TetraPak. Na lona das paredes, o PET reciclado. O piso e os móveis foram fabricados com madeira de demolição. Na decoração, artistas locais pintaram as paredes e parte da mobília.
Durante os dias de festa, educadores ambientais orientaram os convidados a separar o lixo, enquanto uma estação de reciclagem – montada no camarote com catadores cooperativados – separava os resíduos para, então, revender. No final da festa, foram recolhidas cerca de 1,5 tonelada de lixo reciclável.
Além disso, todos os alimentos vieram de cooperativas locais. Ao mesmo tempo, copos, pratos e talheres foram feitos com resina de amido de milho e fécula de mandioca, a partir de uma tecnologia brasileira. Totalmente biodegradável, orgânico e compostável, os pratos ainda tinham a mensagem divertida: “Já fui mandioca!”. E os copos: “Se beber, reutilize”.
Para quem pensa que o camarote ficou educativo demais para uma festa como o Carnaval, ainda resta uma bela novidade: a Sustainable Dance Floor. Uma pista de dança cujas luzes são alimentadas pela energia gerada pelo balanço das pessoas sobre o piso.
Mesmo com tudo isso, e usando lâmpadas de baixo consumo e LED, os organizadores do Expresso decidiram compensar os gases causadores do efeito estufa emitidos durante o evento, preservando 1,2 mil árvores nativas da Amazônia. A Quarta-Feira de Cinzas não ficou de fora. Foi o dia escolhido para um arrastão de limpeza ao som de muito axé.