Uma das festas mais populares do País, o Carnaval é caracterizado pelos blocos, que promovem a concentração dos foliões. Mas em 2011, apenas maiores de 18 anos poderão adquirir seus abadás em Santa Cruz do Sul. A orientação é da Vara da Infância e da Juventude do Ministério Público de Santa Cruz, que reuniu os representantes dos quatro principais blocos da cidade na manhã de ontem. Estiveram presentes as diretorias do Toma Toma, Tôa Tôa, Treme Treme e Migela.
Até o ano passado, a idade mínima para participar das festas era 14 anos, sendo que alguns blocos aumentaram a limitação para 16 anos por iniciativa própria. Os menores de 18 tinham a entrada liberada somente com a autorização dos pais ou responsáveis. O pacote para a folia geralmente incluía uma camiseta e quatro noites de festa com direito a bebida liberada. Para controlar o consumo de álcool por parte dos menores, os jovens eram diferenciados por pulseiras com cores de acordo com a idade.
Ainda assim, o acesso às bebidas alcoólicas era facilitado, conforme afirma a promotora de Justiça, Simone Spadari. Segundo ela, a liberação do consumo para alguns expõe os menores ao risco. “É diferente de uma festa em um clube, por exemplo, onde o acesso à bebida passa pelo crivo da disponibilidade financeira”, explica a promotora.
CADASTRO
A ideia do Ministério Público é criar uma mudança de comportamento social, medida que vem sendo promovida de forma gradativa pelo órgão. “Começamos pela Oktoberfest e pelas festas juninas. Qualquer mudança gera resistência, mas quando os resultados positivos começarem a aparecer, serão bem-vistos”, garante Simone. Para ela, os blocos carnavalescos podem ser ferramentas sociais poderosas se reconhecidos como bons exemplos entre as famílias. “O poder familiar muitas vezes não consegue ser desenvolvido porque a sociedade não colabora”, acredita.
Os representantes dos blocos santa-cruzenses estão de acordo com a nova regulamentação. Entretanto, esperam poder contar com o auxílio do MP para garantir o funcionamento das regras. “A presença de um membro do Conselho Tutelar seria uma alternativa para controlar a conferência das carteiras de identidade nas entradas das festas, e até mesmo intimidar aqueles que tentam driblar a lei”, sugere um dos integrantes da diretoria do bloco Tôa Tôa, Leandro Baumgarten.
Além de um maior rigor na apresentação dos documentos de identidade, outra medida será a criação de um cadastro para regulamentar todos os blocos de Carnaval organizados na cidade. A ação visa aplicar a lei até mesmo nos grupos menores. Para oficializar o acordo com o MP, os representantes dos blocos irão assinar um termo de ajustamento de conduta. “Talvez seja um pouco complicado de administrar, mas no próximo Carnaval estaremos adequados às normas exigidas”, afirma Baumgarten.