Agora só no ano que vem. No último Arrastão do Pavulagem do período junino, o público aproveitou até o último minuto e se despediu em grande estilo. A concentração do derradeiro cortejo aconteceu desde as 9h, na Escadinha do Cais da Estação das Docas. Eram milhares de brincantes, devidamente caracterizados com camisas e os chapéus de fitas coloridas, uma marca registrada do Arraial do Pavulagem.
O arrastão saiu apenas às 10h15 do cais e seguiu para a Praça da República, com a multidão seguindo as batidas dos instrumentos, do trio elétrico e dos bois, como um dos convidados, o Boi Orube do Satélite, formado por crianças e adolescentes. Por volta do meio-dia, a procissão cultural chegou à praça, onde outra parte do público aguardava em frente ao palco montado no centro da praça a derrubada do mastro, que tradicionalmente encerra a programação junina do grupo.
SAUDADES
Para Ronaldo Silva, um dos criadores e músico do Arraial do Pavulagem, os cortejos deste ano vão deixar saudades.
“Cada cortejo possui uma configuração diferente, possui um sabor especial”, afirmou. “Este ano sentimos esse legado muito presente e essa celebração da cultura paraense como uma construção coletiva. É o que faz o arraial crescer a cada ano”.
Os cortejos do Arrastão do Pavulagem surgiram em 1987 da iniciativa de um grupo de músicos e compositores e hoje reúne cerca de 20 mil pessoas, dependendo da
apresentação.
Desde que veio morar em Belém, há três anos, a bancária Tânia Silva incorporou a programação do Arraial
do Pavulagam na vida dela. “Mesmo quando morava no Rio de Janeiro e vinha de férias para Belém, não perdia a programação, pois a considero um símbolo da cultura paraense, com animação e batuques únicos”, diz.