
O Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa atendeu no mês de junho a um total de 1.035 pacientes menores de 12 anos. Boa parte deles foi vítima de acidentes domésticos e se machucou com quedas, tomadas elétricas, manuseio de produtos químicos e líquidos quentes. Em maio, a instituição registrou outros 1.084 casos também envolvendo crianças. Desatenção dos pais e falta de cuidados simples são apontadas como as principais causas pelas ocorrências.
Apesar de ser local de proteção e aconchego, a casa pode esconder perigos que ameaçam principalmente os mais indefesos. É que, devido à ausência de maturidade, as crianças são as mais vulneráveis a se envolver em situação de perigo. Panelas no fogo, pontas de mesa, tomadas elétricas e baldes com água são exemplos de verdadeiras “armadilhas domésticas” para os pequeninos.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de seis mil brasileiros menores de 12 anos morrem e outros 140 mil são internados todos os anos após sofrer acidentes. Os números são tão altos que a Sociedade Brasileira de Pediatria já aponta os casos como a primeira causa da morte das pessoas com até 19 anos de idade no país. O mais preocupante é que 40% dos casos ocorrem em casa.
Em João Pessoa, dos 1.035 pacientes que deram entrada no Hospital de Emergência e Trauma no mês de junho, nove não tinha sequer 30 dias de vida, 71 estavam com menos de um ano de nascido, 385 estavam entre o primeiro e o quarto ano de idade, 294 compreendiam a faixa etária de cinco a nove anos e 276 tinham idade entre dez e 14 anos. A maioria dessas crianças foi vítima de queimaduras, choques elétricos e quedas.
Boa notícia
Mas a boa notícia é que alguns cuidados bem simples têm poder de evitar tragédias. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), acidentes em casa são evitáveis e não devem ser vistos como fatalidade. O ambiente doméstico por si só já representa um grande risco às crianças, mas alguns cuidados por parte dos pais podem tornar o local mais seguro.
De todos os acidentes, os mais comuns são as quedas da cama. Os adultos põem os filhos para dormir e esquecem de colocar barreiras de proteção. Quando menos se espera, acontece uma queda. A criança vai se mexendo até escorregar do colchão. Como a altura é pequena, geralmente, não ocorrem grandes ferimentos. Mas é bom lembrar que há sempre o risco de gerar algum traumatismo craniano.
Para orientar os pais, a SBP criou uma cartilha com uma série de recomendações. Dentre elas, a principal é “nunca deixar meninos e meninas sozinhos em casa”, já que a criança não tem noção de perigo. Movida pela curiosidade, elas mexem em tudo e é preciso que um adulto esteja sempre monitorando os passos dela.
Substâncias tóxicas
O perigo mora em casa. Ratos e baratos realmente são uma peste. Muitas donas de casa costumam comprar veneno e espalhar pela casa para matá-los. Porém, muita gente ignora os cuidados essenciais e coloca os produtos em qualquer lugar. No entanto, é bom lembrar que as armadilhas não devem atingir os inocentes. Os venenos devem ser postos em locais de difícil acesso, sem que as crianças tenham qualquer contato. O mesmo veneno que mata ratos também pode matar os filhos. Por isso, todo cuidado é pouco.
Outra recomendação é com relação a baldes com água. É comum as donas de casa colocarem roupas de molho para serem enxaguadas depois. Elas se preocupam com outras atividades domésticas e dão as costas para as bacias. Sem saber, armaram uma grande cilada para os filhos. É que as bacias devem ficar em local alto. Crianças gostam de brincar com água. E nem é preciso ter grande quantidade de água para que elas morram afogadas. Se forem pequenas e caírem dentro de um balde, de forma que não consigam sair sozinhas, podem, sim, vir a óbito por afogamento. O alerta serve para mães e empregadas domésticas.
Dicas da SBP
Proteja janelas com telas e grades. As piscinas devem ter redes apropriadas ou ser cercadas;
As tomadas devem ser protegidas e a fiação elétrica não pode ficar exposta em locais onde circulem crianças;
Remédios, produtos de limpeza, material inflamável, devem ficar longe do alcance das crianças e nunca devem ser guardados em recipientes de refrigerantes ou similares;
Afaste a criança de água ou alimentos muito quentes, e de qualquer situação onde exista risco de fogo e chama;
Mantenha cabos das panelas virados em direção à tampa do fogão. Crianças podem puxar os cabos e derrubar sobre si a o caldo quente da comida.
Não deixe brinquedos pequenos nem moedas ao alcance das crianças. Elas podem engolir as peças e morrer por asfixia.
Não dê chicletes às crianças. Há o risco delas engolirem a borracha e ter complicações gástricas.
Não deixe crianças sozinhas na banheira ou piscina. Afogamento durante o banho de banheira é rápido e silencioso. Qualquer descuido pode causar um acidente. Ao deixar a criança na banheira para pegar uma toalha: cerca de 10 segundos são suficientes para que a criança dentro da banheira fique submersa; Se for atender um telefone, saiba que apenas dois minutos bastam para que a criança submersa na banheira perca a consciência.
Bebês devem dormir em colchão firme de barriga para cima, cobertos até a altura do peito com lençol ou manta que estejam presos embaixo do colchão.
O colchão deve estar bem preso ao berço (não mais que dois dedos de espaço entre o berço e o colchão) e sem qualquer embalagem plástica.
Compre brinquedos apropriados para o seu bebê. Peças pequenas podem engasgar as crianças. Verifique o se piso está livre de objetos pequenos como botões, colar de contas, bolas de gude, moedas, tachinhas. Tire tudo isso do alcance do bebê.
Nunca deixe as crianças, sem vigilância, próximas a pias, vasos sanitários, banheiras, baldes e recipientes com água. Esvazie-os logo depois de usá-los. Guarde baldes e recipientes de cabeça para baixo.
Procure adquirir móveis com pontas arredondadas ou considere o uso de pontas de silicone (protetores de quinas) vendidas em lojas especializadas de bebê.
Evite móveis com vidro ou outro material que possa quebrar e cortar.
Mantenha uma mão em seu bebê enquanto você troca as fraldas. Não deixe seu bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis.
Use a cadeirinha de segurança em todas as viagens, desde a saída da maternidade. Bebês devem viajar em cadeirinhas de segurança (bebê-conforto) instaladas de costas para o movimento do veículo, até completarem um ano de idade e pesarem pelo menos 9 Kg. Nunca coloque a criança no banco da frente de um carro.
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