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SES promove oficina sobre leishmaniose e raiva humana nesta quarta

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registrou, no ano passado, 112 casos confirmados de leishmaniose tegumentar americana (LTA) na Paraíba, o dobro do número registrado em 2008 (56). Este ano, até esta segunda-feira (19), já haviam sido confirmados 66 casos em 17 municípios.

Nesta quarta-feira (21), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) realiza, no Hotel Marc Center, em Campina Grande, a ‘Oficina sobre o Programa de Controle da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) e da Raiva Humana’, para profissionais de saúde da atenção básica dos 21 municípios prioritários, que têm casos confirmados da doença.

Durante a oficina, médicos e enfermeiros que atuam nas unidades básicas de saúde vão saber qual a situação epidemiológica da LTA, no Estado, além de receber informações sobre o diagnóstico da doença e o tratamento dos pacientes.

“O nosso objetivo é fazer com que o profissional da atenção básica identifique o caso o mais rápido possível para que o paciente comece logo o tratamento. Além disso, é importante a notificação dos casos, porque é a partir desses dados que nós direcionamos as ações de prevenção da doença, no Estado”, disse o gerente operacional da Vigilância Ambiental da SES, Nilton Guedes. O encontro vai até as 17h, mas à tarde, a discussão será sobre a raiva humana.

A leishmaniose tegumentar americana é uma doença infecciosa, causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania, que acomete pele e mucosas de pessoas e animais. Os vetores da doença são os flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquito palha, birigui, tatuquira e borrachudo – entre outros apelidos – que mudam de acordo com a localização geográfica.

A transmissão ocorre através da picada de fêmeas infectadas. O mosquito pica o animal infectado e sem seguida, o homem, transmitindo o protozoário. O período de incubação da doença no ser humano é, em média, de dois a três meses, podendo variar de duas semanas a dois anos.

Diagnóstico e tratamento - A LTA tem cura e o tratamento é feito com um medicamento específico, distribuído pelo Ministério da Saúde. O diagnóstico é feito por meio de testes laboratoriais. Os sintomas são feridas que surgem no local onde o mosquito pica. Elas não doem nem coçam e o que identifica a lesão como leishmaniose são as bordas avermelhadas, em relevo.

A doença tem ocorrência em áreas de desmatamento, zona rural ou próximo a bairros em expansão. O protozoário é encontrado em roedores, como ratos silvestres, gambás e bichos-preguiça. Já os animais domésticos, como os cães, são considerados hospedeiros acidentais da doença.

Os dois hospitais de referência, no Estado, para o tratamento da doença são os universitários Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa, e o Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande. No entanto, os pacientes também podem ser tratados nas unidades básicas de saúde.

Municípios prioritários - Os 21 municípios prioritários foram selecionados pela SES por apresentarem casos da doença. São eles: Alagoa Grande, Alagoa Nova, Alagoinha, Areia, Bananeiras, Boqueirão, Campina Grande, Curral de Cima, Cuitégi, Dona Inês, Guarabira, Gurinhém, Ingá, Lagoa Seca, Matinhas, Natuba, Pilõezinhos, Pilões, Pirpirituba, Remígio e Serraria.

Em 2009, os cinco municípios com maior número de casos foram Alagoa Nova (28), Areia (18), Alagoa Grande (16), Pilões (15) e Alagoinha (6). Este ano, Pilões, por enquanto, este em primeiro lugar, com 15 casos, seguido de Alagoa Nova (11), Matinhas (7), Areia (6) e Alagoa Grande (5).

Raiva humana – A partir das 13h30 desta quarta-feira, os participantes da oficina da SES vão discutir as normas técnicas de profilaxia da raiva humana. A apresentação será feita pelo chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses, Francisco de Assis Azevedo, que vai repassar aos profissionais de saúde as condutas a serem adotadas quando há casos de pessoas mordidas por animais.

“Qualquer pessoa agredida por animal deve procurar imediatamente o serviço de saúde. Lá, o médico vai avaliar o caso e tomar as providências necessárias. Durante a oficina, vamos mostrar aos profissionais de saúde, quais as medidas que devem ser adotadas”, disse Francisco.

A raiva humana é uma doença infecciosa aguda, que não tem cura e é transmitida por mamíferos. O cão e o gato são os principais transmissores, mas há casos de transmissão, também, por cabras, bodes, bois, vacas, raposas e morcegos, entre outros. A vacinação é a única forma de evitar a contaminação pelo vírus rábico.

Além da vacina, distribuída gratuitamente nos postos de vacinação, é usado o soro, nos casos mais graves, como mordida de morcego ou de cachorros de rua. 

Vacina - “O esquema de vacinação varia de acordo com cada caso. Para cada espécie de animal existe uma dosagem, por exemplo. Também é levado em consideração o local da lesão. Há, ainda, os casos em que é necessária a utilização do soro, além da vacina. Não é uma avaliação simples e, por isso, só deve ser feita pelo médico”, explicou Francisco.

Os dois últimos casos de raiva humana, na Paraíba, foram registrados em 1999, em duas crianças. Uma tinha 11 anos de idade e morava no município de Queimadas. A outra tinha sete anos e era de João Pessoa.



Fonte: Ascom

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