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Taxa de desocupação cai, mas economia não gera mais vagas, diz IBGE

A redução da taxa de desocupação em junho baseou-se na saída de pessoas do mercado de trabalho e não na geração de postos de trabalho. De acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ocupada ficou estatisticamente inalterada entre maio e junho, com 21,878 milhões de indivíduos, apenas mil a mais que em maio. Já a população desocupada apresentou queda de 6,6% no período, com 1,647 milhão, ou 117 mil pessoas a menos que em maio. No mês passado, a taxa de desocupação atingiu 7%, no menor nível para um mês de junho e o segundo menor patamar para qualquer mês desde o início da série histórica em 2002.

Para Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), as férias de julho normalmente desestimulam a procura por emprego em junho, o que voltou a ocorrer esse ano, contribuindo para a redução da população economicamente ativa, que caiu 0,5% entre maio e junho. Ao mesmo tempo, a população não economicamente ativa subiu 1,1%, em 193 mil pessoas.

"A queda da taxa em junho é explicada pelas pessoas optarem por não procurar emprego, porque são estudantes, mulheres com crianças, e também porque o aumento da renda contribui para tirar as pessoas do mercado. Pessoas que desistiram de procurar trabalho para ter disponibilidade em julho", frisou Azeredo, acrescentando que será necessário esperar os resultados dos próximos meses para determinar as tendências da geração de vagas. "Temos um quadro favorável, com evolução da taxa de desocupação. Há algumas interrogações, que vão culminar na continuação, ou não, da redução da desocupação. Se não houver geração de postos, a força de trabalho que se retirou do mercado tende a voltar e pode fazer a ocupação recuar. Por isso não fazemos previsão, temos que analisar", ponderou.

Para o técnico do IBGE, a Copa do Mundo não foi um fator decisivo para a redução da procura por trabalho em junho, uma vez que em outros anos também se observou a redução da procura por trabalho no mês de junho.

"O efeito da Copa é muito rarefeito. É igual ao carnaval e, se fosse assim, teríamos queda da desocupação no carnaval", disse Azeredo.

Em relação à crise financeira que se abateu sobre a economia no segundo semestre de 2008, os números do IBGE mostram a superação do quadro, com os resultados de desocupação, rendimento e emprego com carteira já superando os índices anteriores à turbulência.

"Passamos pela crise e agora estamos melhores que no período anterior a ela", afirmou Azeredo, lembrando que no primeiro semestre a taxa média de desocupação foi de 7,3%, a menor da série para o período janeiro-junho. Em termos de nível de ocupação, que mostra a fatia empregada dentro do universo da população em idade ativa, a taxa de junho mostrou 52,9%, acima dos 51,9% de junho do ano passado, mas ainda abaixo dos 53,4% de outubro de 2008, o recorde da série.

O rendimento médio real voltou a subir em junho, depois da queda de 0,9% em maio. Em junho, a média de R$ 1.423,00 significou uma alta de 0,5% sobre maio. No primeiro semestre, a média de R$ 1.420,34 foi a mais alta da série histórica para os seis primeiros meses do ano, superando o antigo recorde de R$ 1.397,06, dos seis primeiros meses do ano passado.

Em termos de qualidade do emprego, o emprego com carteira no setor privado ficou estatisticamente estável, com alta marginal de 0,2% na comparação com maio, enquanto em relação a junho do ano passado apresentou alta de 7,1%, o equivalente a 670 mil pessoas a mais com emprego formal. No total, junho fechou com 10,150 milhões de empregos formais no setor privado, o equivalente a 46,4% da população ocupada.

"O emprego com carteira em termos anuais subiu o dobro da alta da população ocupada, o que mostra avanço na qualidade do emprego", disse Azeredo.



Fonte: Valor Online

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