Os locais que estão servindo de abrigo para cercas de 700 vítimas das fortes chuvas de junho em Alagoas estão superlotados. Relatos indicam que é impossível ter privacidade. Falta espaço, falta higiene. O cheiro forte de urina se mistura ao de comida e o risco de se contrair doença aumenta a cada dia.
Em uma antiga fábrica que serve de abrigo, por exemplo, uma mulher conta que dorme no chão e fica rodeada por moscas. Crianças tomam banho no meio da rua. Uma delas, envergonhada, se lava com a roupa do corpo.
A rodoviária da cidade de Murici também abriga as vítimas e a situação é preocupante. Não há espaço para mais ninguém. As pessoas se amontoam nos corredores, dentro dos escritórios das empresas e até nos guichês. Uma mulher ocupa a laje do terminal.
Apesar da falta de estrutura, comida não falta. Os abrigos recebem alimentos duas vezes por dia, de todos os lugares do país. As filas são enormes. O governo de Alagoas prometeu até o dia 20 de agosto transferir os desabrigados para tendas invididuais de 25 mil metros quadrados. O prejuízo no Estado com o temporal chegou a R$ 1 bilhão.
As chuvas atingiram 19 municípios e mataram 26 pessoas no Estado.