
O ar contaminado da mina de San José, no Chile, recebe durante a madrugada de hoje uma lufada de ar fresco. "À primeira hora da manhã começa o plano B, a operação de resgate denominada San Lorenzo", garante o responsável pelas operações de salvamento dos 33 mineiros presos numa zona de refúgio da mina, a 700 metros de profundidade, desde dia 5. Passados 25 dias do acidente na mina chilena, o plano B tem como principal objectivo acelerar o processo de resgate dos mineiros, que o governo estima estar concluído dentro de três meses, perto do Natal.
É na máquina Strata 950 - uma perfuradora gigante de fabrico italiano - que autoridades, famílias e jornalistas no local depositam as esperanças. "Deve escavar uns 702 metros em linha recta, até atingir o refúgio", explicava ontem Walter Herrea, engenheiro chileno responsável pela operação a cargo da Geotec, sublinhando que o processo pode durar entre três e quatro meses.
De acordo com o governo do Chile, o primeiro passo do plano B é a escavação de um túnel mais estreito, para envio de recursos básicos. Esta fase pode tardar 90 dias. "Obviamente estamos à procura de opções, e de podermos acelerar o processo. Será bem-vinda uma opção mais curta", garantiu o ministro das Minas, sublinhando que, no quadro do resgate dos mineiros, estão a ser traçados dez planos alternativos, para o caso de algum falhar. No entanto, as operações de resgate contam, a partir de agora, com a experiência de quatro especialistas da NASA em situações de isolamento. E, ainda, com um maior ânimo dos mineiros, depois de terem conseguido dar notícias via vídeo às famílias, e de restabelecerem uma alimentação equilibrada, com alimentos enviados da superfície. "Melhorámos a pauta nutricional, já com duas mil calorias diárias", disse ontem o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich. A tensão psicológica era outra das grandes preocupações das equipas de resgate, que esperam melhoria na saúde de cinco dos mineiros com sinais de depressão, depois de, este fim-de-semana, já estarem medicados com antidepressivos.
"Os mineiros, em geral, não são afectados pela permanência em espaços escuros e confinados. Mas não estamos perante condições normais", alerta João Santos Baptista, do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade do Porto.
trocando por miúdos "Uma mina é um sistema composto por acessos às zonas onde se encontra o minério que se pretende extrair. Um refúgio é uma estrutura, normalmente metálica, de elevada resistência mecânica, que é colocada numa cavidade efectuada ao lado destas vias de circulação", esclarece João Santos Baptista. No caso da mina chilena, a zona de refúgio tem 40 metros quadrados, mas há a zona de circulação onde os mineiros podem estar, com uma extensão de dois quilómetros, um "espaço razoável", conta o especialista, desviando as atenções para outra questão. "Ninguém referiu o risco de haver problemas com a bomba de água. Porque é essencial, a 700 metros de profundidade, com água constante", alerta João Santos Baptista. "Desconheço o sistema de bombagem das minas de San José. Mas mandam as boas regras que a bombagem não seja efectuada por uma única bomba, para garantir a eficácia do processo."