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Curso com especialistas baianos mostrou uso de células-tronco na doença falciforme

Nos dias 26 e 27 o ortopedista Gildásio Daltro, coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia, e o cirurgião plástico José Valber, ambos professores titulares da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, ministraram o curso “Alterações Osteoarticulares e ulceras da perna na doença falciforme” no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa,

O evento capacitou cerca de 50 profissionais para o tratamento de pacientes com a doença. “No dia em que o governo voltar os olhos para a doença falciforme vai diminuir muito a lotação nas emergências”, começou afirmando Daltro.

Ele iniciou as pesquisas com terapia celular em 2004 com um especialista francês. Atualmente 26 médicos fazendo especialização com Dr. Gildásio no HU da UFBA. Segundo o ortopedista, os problemas osteoarticulares se manifestam com mais freqüência nesses pacientes porque ocorre pobreza vascular na cabeça do fêmur das pessoas com a doença falciforme.

Gildásio revelou que na Bahia hoje vivem de 20 a 24 mil pessoas com esse tipo de hemoglobinopatia. “O hemocentro baiano atende hoje 2400 pacientes”, acrescenta.

Segundo estudos realizados por especialistas na biomecânica do quadril, a cabeça do fêmur chega a suportar cinco vezes peso do corpo, por isso está mais sujeito à alteração osteoarticular.

“Na fase inicial, a pessoa tem dor, mas radiografia pode parecer normal. Um dos sintomas iniciais é a dor noturna, quando o paceinte já acorda sentindo dores na região do quadril. Depois, com o passar dos anos, o problema pode se tonar invalidante”, explica o médico.

Ele disse também que as próteses em pessoa com DF tem uma vida útil  menor, durando, no máximo, 10 anos. “A fisioterapia deve ser feita antes e depois das cirurgias”, acrescenta Gildásio . O especialista também defende que o tratamento precoce pode ser realizado através de ultrassom para as crianças com DF na fase em que ainda estejam aprendendo a andar.

Segundo o ortopedista baiano, a Sociedade Brasileira de Ortopedia criou grupo de pesquisa científica para aprofundar os estudos sobre utilização da terapia celular. “Por causa do aumento da violência e dos traumas, as pesquisas noutras áreas, como a terapia celular, acabam sendo relegadas ao segundo plano”, avalia.

O médico comentou ainda que o intervalo entre cirurgias numa articulação e noutra pode ser de três a seis meses. As pessoas com alterações como artrose e necrose nas articulações devem evitar esporte de combate e de impacto, mas podem fazer algumas atividades físicas com acompanhamento por fisioterapeutas.

ÚLCERAS

No segundo módulo do curso, o cirurgião José Valber, falou sobre o tratamento de úlceras de perna em pessoas com a doença falciforme. Segundo ele, o surgimento das úlceras tem relação direta com níveis de hemoglobina fetal dos pacientes. Uma primeira providência indicada é a realização de biópsia cutânea para verificar a presença de hemácias falcisadas no local do edema.

“As úlceras são consideradas crônicas com mais de 24 semanas e com 10 cm de diâmetro. Elas são de difícil de cicatrização, sendo que a possibilidade de insucesso no fechamento das feridas pode chegara até 60% dos casos”, diz Valber.

O médico ressalta que repouso, higiene e alimentação adequada são importantes no tratamento das úlceras. Ele revela que há uma maior frequência nos homens, provavelmente pelo fato de que esses sejam mais descuidados com higienização corporal.

Para os curativos, o especialista recomenda o uso tópico de antiinflamatório e menos de antibiótico sistêmico, por via oral ou intravenosa. “A pasta de óxido de zinco tem bom resultados na cicatrização”, afirma. Em pouco mais de um ano, cerca de 20 pessoas com DF fizeram tratamento de úlceras de perna com uso de celulas-tronco no HU da UFBA.

Um dos casos que Valber examinou durante o curso foi o do estudante Alexsandro Tenório, que vem sofrendo com úlceras em ambas as pernas há quase dois anos. Ele deverá ser um dos primeiros pacientes paraibanos a passar pela cirurgia de células-tronco nos próximos dias na Bahia.

“O resultado do curso deverá ser um convênio a ser firmado entre o hospital universitário da UFBA e a Secretaria de Saúde da Paraíba, com apoio do Ministério da Saúde. Estamos tentando envolver também médicos do hospital universitário da UFPB e do próprio Hospital de Trauma”, comenta Alzumar Nunes, coordenador da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH).

Segundo Nunes, cerca de oito associados que participaram voluntariamente da avaliação clínica durante o evento já foram cadastrados para agendar a cirurgia na capital baiana nos próximos meses. “A expectativa é que o projeto coordenado pelo Dr. Gildásio custei a ida dos nossos associados. A contra-partida da Secretaria de Saúde deverá ser o financiamento dos exames pré-cirúrgicos, especialmente a ressonância magnética que cada um dos pacientes deverá fazer para localizar exatamente as regiões lesionadas”, detalha.

Outro saldo importante da vinda dos médicos baianos à Paraíba foi o interesse de alguns ortopedistas em realizar cursos de especialização, em nível de pós-graduação, sobre terapia celular, com o Dr. Gildásio Daltro na UFBA. Esse tipo de intercâmbio pode ser oferecido também para fisioterapeutas e cirurgiões plásticos.



Fonte: Redação com Ascom

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