
- Do Campo dos Afonsos para Cachimbo
A eleição do Presidente da República Juscelino Kubitschek e de seu Vice João Goulart preocupava alguns setores da sociedade brasileira. Inconformados com a situação política que se delineava, o Major Haroldo Veloso e o Capitão José Chaves Lameirão da Força Aérea Brasileira, arquitetaram um movimento militar que esperavam ganhasse amplitude nacional. Na madrugada de 11 de fevereiro de 1956, dias antes da posse dos eleitos, os dois oficiais sequestraram do Campo dos Afonsos, localizado na Guanabara (atualmente Rio de Janeiro), uma aeronave “Beechcraft”. Carregaram-na com armamento e munição e rumaram para a Base Aérea de Cachimbo que eles mesmos haviam ajudado a construir.
Mais tarde o próprio Capitão José Chaves Lameirão confessou:
“Nosso plano era iniciar efetivamente a Revolução. Era preciso que alguém o fizesse. Nosso plano era apoderar-nos, logo de início, da base de Cachimbo – e foi o que fizemos. É preciso que se saiba que o Cachimbo fica mais ou menos equidistante de Fortaleza, Recife, Natal e Salvador. Com a Base em nossas mãos, seria fácil aos camaradas que quisessem aderir, com seus aviões B-25, as ‘Fortalezas Voadoras’ do Nordeste, e os ‘Ventura’ de Salvador, principalmente, voar diretamente ao Cachimbo e ali lutar pela causa. Chamaríamos, também, as atenções da Nação para aquele ponto e para o Amazonas, e isto poderia facilitar o levante no Sul. Achávamos que alguém começando a Revolução, ela se alastraria naturalmente”.
Os amotinados procurando ampliar sua área de influência ocuparam e dominaram, depois da Base Aérea de Cachimbo, a Base Aérea de Jacaré-Acanga (Cabeça de Jacaré). Desde a decolagem do campo dos Afonsos todos os aeroportos do país tinham recebido o sinal de alerta e tão logo foi conhecida sua posição dos insurgentes partiu um “Douglas” comandado pelo Major Paulo Vitor com a missão de aprisionar os rebeldes. A tripulação, tão logo pousou em Jacaré-Acanga foi aprisionada enquanto o Comandante Paulo Vitor aderiu ao movimento.
Veloso dando continuidade à estratégia de ampliação da área convulsionada parte o “Beechcraft” reforçado pelo “Douglas” para a Base de Santarém que foi ocupada sem resistência. Enquanto Lameirão providenciava a interdição da pista, Veloso assumiu o comando da força policial santarena, interditou o telégrafo, e neutralizou as comunicações das estações de rádio e das companhias aéreas retirando-lhes os cristais dos equipamentos. Fechou o “Tiro de Guerra
“Combate em Santarém!”
“Luta-se encarniçadamente na Pérola do Tapajós!
Já sobem a milhares os mortos e feridos na Revolta de Jacaré-Acanga!”
No sul do país as rádios alardeavam notícias fantásticas e exageradas, enquanto em Santarém as “Fortalezas Voadoras” sobrevoavam a cidade despejando folhetos conclamando a população a se afastar dos insurretos. Na tarde de 22 de fevereiro de 1956, Lameirão sobrevoando o Amazonas no “Beechcraft”, avistou uma embarcação que confundiu com o “Presidente Vargas” de transporte de tropas, na verdade era o “Lobo D’Almada”, que conduzia centenas de civis. Lameirão muito nervoso, tão logo pousou, foi relatar a Veloso a necessidade de bombardeá-lo que preferiu outra alternativa realizando uma retirada estratégica que, certamente, poupou a vida de centenas de inocentes. Às dezenove horas, deste mesmo dia, partiram para a Base de Jacaré-Acanga levando armas, munições e 25 homens que julgavam serem fiéis ao Movimento.
Dias depois, chegava a Santarém o “Presidente Vargas” com um contingente de 300 homens do Exército, comandados pelo Coronel Hugo Delayte, e um contingente de pára-quedistas militares, comandados pelo Coronel Santa Rosa, o aeroporto foi liberado permitindo o pouso de diversas aeronaves militares.
“Enquanto decorriam as operações aéreas de reconhecimento do campo inimigo, as tropas vindas pelo ‘Presidente Vargas’ iniciavam sua subida pelo Tapajós, sob o comando do Coronel Hugo Delayte. Viajavam em barcaças. (...) Sucedeu, porém um imprevisto: Veloso queria apanhar gasolina
No dia 28, às 17 horas, Veloso, desarmado, foi aprisionado sem oferecer resistência em uma casa de São Luís. Levado para Itaituba foi transportado em um “Beech
Fonte: SANTOS, Paulo Rodrigues dos. Tupaiulândia. ICBS/ACN. Santarém, PA: Gráfica e Editora Tiagão, 1999.
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